George W. Chamberlain
“Paz, paz seja contigo! e paz com os que te ajudam! porque o teu Deus te ajuda” (1 Cr 12.18).
No dia 4 de julho de 1885, se você tivesse estado nesta Imperial Cidade de São Paulo, no Brasil, poderia ter visto as bandeiras de todas as nações expostas em um terreno de quatro acres situado na encosta de uma colina que olha para o sol nascente.
Desde a Igreja Matriz, em torno da qual, como um centro, a cidade cresceu, ou do correio próximo, você pode atingi-la com uma rápida caminhada de quinze ou vinte minutos através da rua chamada Direita, que, como muitas outras coisas chamadas “direitas” pelos homens, é de fato bastante torta, e então descer pela Conselheiro Falcão, atravessar o vale do riacho que ainda conserva o seu nome indígena, Anhangabaú, e subir a colina pela Rua da Consolação.
Quando você tiver atingido o ponto mais elevado do terreno, onde os fundamentos do novo edifício estão sendo lançados, volte-se para o leste e olhe para a cidade de 40 ou 50 mil habitantes que se estende através do vale do Tamanduateí. Bem em frente de você, a 6 milhas de distância, os seus olhos repousam sobre um “templo” situado numa elevação que parece mais alta que a sua própria, mas o nível do engenheiro lhe diz que os seus pés estão mais altos que a torre da Igreja de “Nossa Senhora da Penha”. Olhe diretamente 300 milhas além de “Nossa Senhora” e você poderá ver, em sua imaginação, um dos subúrbios de nossa cidade, comumente chamado Rio e mais apropriadamente registrado como a “Imperial Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro” – “cidade não insignificante” [At 21.39] em si mesma. Para aquele lugar o primeiro de nossos missionários se dirigiu após infrutífera busca de uma casa apropriada nesta cidade, na qual pudesse iniciar o seu trabalho. A Junta julgou que São Paulo, sendo um centro de estudos para o qual vinham jovens de todas as partes do império, devia ter prioridade na ordem de ocupação.
Você estava olhando para o leste. Olhe agora para o Vale do Tietê, na direção nordeste, e os seus olhos irão avistar outro templo, a cerca de 4 milhas de distância, no primeiro conjunto de montes além do qual se eleva a cadeia de montanhas chamada Serra da Mantiqueira. Desses montes, onde se situa a Igreja de Santana, o nosso arquiteto, Sr. Edward Everett Benest, um engenheiro inglês, trouxe água para o abastecimento de São Paulo, através de canos de ferro, numa distância de 10 milhas. Tendo concluído esse grande empreendimento, ele nos deu o seu auxílio na construção de um reservatório do qual águas terapêuticas irão fluir por todo este império.
Olhe diretamente agora ainda para o nordeste, porém uma vez mais com os olhos da imaginação, cerca de mil milhas, e você verá outro de nossos subúrbios – Bahia [Salvador], com suas 120.000 almas. É a sede do arcebispado do império e mui apropriadamente a residência do nosso patriarca, Rev. A. L. Blackford, este ano condignamente agraciado por sua alma mater com o título de Doutor em Divindade. Ele tenta convencer-se de que está no “coração” do universo brasileiro, mas o seu erro é evidente para cada presbiteriano não preconcebido que reside perto de São Paulo. Se qualquer pessoa tenta rebater a nossa posição de que o Rio e Salvador são subúrbios desta cidade de São Paulo, porque são maiores, respondemos com o argumento de Tiago: “Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes... por um pequeníssimo leme são dirigidos” [Tg 3.4]. Se ela replicar, com um grão de arrogância, que “o pequeno órgão se gaba de grandes coisas”, nos o esmagamos citando o historiador brasileiro: “A história de São Paulo é a história do Brasil”.
Mas estamos postados nesta colina, no meio de nosso terreno de quatro acres. O que viemos ver? É a pedra angular, ou mais apropriadamente a pedra memorial, em honra de cujo lançamento as bandeiras de todas as nações estão tremulando no dia de hoje. Mais que isso, é a construção de um novo edifício para a instalação de nossa Escola Americana, a escola cristã fundada neste local por nossa Igreja Presbiteriana. Essa pedra memorial é o nosso Ebenézer, dizendo à multidão que se reúne: “Até aqui nos ajudou o Senhor” [1 Sm 7.12] e “Em nome do nosso Deus hastearemos pendões” [Sl 20.5]. A própria pedra foi cortada do mármore verde desta província, e nas duas faces expostas, no canto sudeste de um edifício de 160 pés de comprimento, na altura da cabeça de um homem, ela contém a inscrição em português, com letras em alto relevo: “Ao Rei dos séculos, imortal, invisível, a Deus só seja honra e glória. Anno Domini, 1885”. Antes de lançarmos as primeiras fundações, nós cantamos “Hosanas ao Filho de Davi”, recitamos o salmo “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” e dedicamos a ele esse labor de nossas mãos, para que o guarde e o administre para a sua glória.
Esperamos que até novembro – a época em que a igreja estará empenhada de modo especial em oração pelo Brasil – o som do martelo terá cessado e nós estaremos louvando e orando dentro de suas paredes. Solicitamos, especificamente, ações de graças e oração pela igreja a nosso favor:
Primeiro – pelos brasileiros generosos cujos donativos a nós neste ano para a educação cristã, no montante de $5.000 dólares, nos estimulam a empreender grandes coisas.
Segundo – pela vinda de dois trabalhadores em nosso auxílio – Dr. H. M. Lane e Rev. D. C. McLaren. Orem para que a bênção de Deus repouse sobre eles.
Terceiro – porque o Senhor nos deu o coração do povo até que nos confiaram 150 de seus filhos e filhas, embora o propósito religioso de nossa escola nunca seja ocultado.
Fonte:
The Foreign Missionary, novembro de 1885, págs. 248-250.