Alderi Souza de Matos
A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) resultou do trabalho missionário das igrejas presbiterianas dos Estados Unidos, a Igreja do Norte (PCUSA) e a Igreja do Sul (PCUS). Por muitos anos não houve “missões nacionais” na IPB, no sentido de missões empreendidas e sustentadas pela igreja nacional em território brasileiro. Toda a obra presbiteriana era realizada sob os auspícios das juntas norte-americanas, sediadas, respectivamente, em Nova York e Nashville.
O primeiro esforço no sentido de mudar esse quadro foi feito pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira. Preocupado com o maior envolvimento da IPB na obra missionária, ele liderou várias iniciativas importantes: a Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos (1883), o Plano de Missões Nacionais (1886) e a Revista das Missões Nacionais (1887). O Plano de Missões Nacionais visava despertar nas igrejas o senso de responsabilidade pela evangelização através do sustento de obreiros nacionais, que na época eram pagos pelas missões. Por mais de trinta anos, a Revista mobilizou as igrejas, deu informações sobre o progresso da obra e contabilizou as finanças. Um de seus redatores mais dinâmicos foi o Rev. Thomas J. Porter.
O Sínodo da IPB, criado em 1888, consagrou o Plano de Missões Nacionais, transformando-o em uma comissão permanente. Eventualmente foram criadas outras duas comissões permanentes nessa área, uma de Missões Nacionais e outra de Missões Estrangeiras. Visto que as missões em território brasileiro estavam sendo atendidas pelos norte-americanos, foi dada maior atenção ao trabalho no exterior. Em 1910, com a criação da Assembléia Geral da IPB, resolveu-se iniciar uma missão em Portugal. No ano seguinte, foi enviado para aquele país o Rev. João Marques da Mota Sobrinho, o primeiro missionário da IPB no exterior.
No Brasil, as missões norte-americanas eventualmente começaram a transferir os seus campos para presbitérios da IPB, mediante acordos de cooperação ou “modus operandi”. Foi assim com a criação do Presbitério de Bahia e Sergipe, em 1907, que absorveu vários dos antigos campos da Missão Brasil Central. Esses campos passaram a ser pastoreados pelos Revs. José Ozias Gonçalves, Matatias Gomes dos Santos e Salomão Ferraz. Dez anos depois, em 1917, a IPB e as missões firmaram um acordo mais amplo, também denominado “Modus Operandi” ou “Brazil Plan”, plano esse que foi implementado entre as duas partes durante várias décadas.
O arranjo de 1917 não foi inteiramente satisfatório, porque criava uma dicotomia entre os presbitérios, assistidos por pastores brasileiros, e os campos missionários, ocupados pelos norte-americanos. Além de dar assistência aos campos presbiteriais, a IPB também desejava atuar em campos missionários novos, fora da área dos presbitérios. Assim sendo, foi organizada em 1940 a Junta Mista de Missões Nacionais, com representantes da IPB e das missões americanas. Foi a antecessora da atual Junta de Missões Nacionais. Entre os primeiros presidentes da Junta estiveram os Revs. Coriolano de Assunção, Guilherme Kerr, Filipe Landes, Edward Lane e Wilson Lício. Ocuparam a tesouraria, por muitos anos, os dedicados presbíteros Carlos José Rodrigues e Eurico Ribeiro dos Santos. Todavia, o líder mais destacado desse órgão, no cargo de secretário executivo, foi o Rev. José Carlos Nogueira.
A primeira região ocupada foi a Alta Araraquarense, no interior de São Paulo (Tanabi, Monte Aprazível, Mirassol, Jales, Votuporanga). Em seguida vieram a Alta Paulista (Lucélia, Adamantina); o norte do Paraná, a começar de Londrina; o norte de Minas (Teófilo Otoni, Guanhães, Virginópolis, Peçanha); no Pará, a região bragantina e Altamira; no sul, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. De 1940 a 1958, a Junta ocupou quinze regiões, com cerca de 150 locais de pregação em todo o Brasil. Em 1950 foi criada uma entidade regional, subordinada à Junta, a Missão Presbiteriana da Amazônia, para atender melhor os interesses da vasta região.
Em conclusão, inicialmente as “missões nacionais” visaram a manutenção dos primeiros pastores brasileiros; depois, o sustento das causas gerais da igreja, vindo a constituir a tesouraria da Assembléia Geral; por fim, passaram a ter em vista a abertura de campos em zonas pioneiras.