Alderi Souza de Matos
O presbiterianismo é, por definição, um sistema eclesiástico eminentemente participativo, democrático, de responsabilidades compartilhadas. Calvino e os demais próceres reformados entenderam assim, com base no precedente bíblico, neotestamentário. No primeiro século, as igrejas cristãs locais caminhavam em direção a um modelo federativo, conexional, e as decisões eram tomadas pelos líderes de forma colegiada, conforme exemplificado pelo “concílio de Jerusalém” (Atos 15).
Foi exatamente essa ênfase que levou à consagração do termo “igreja presbiteriana” no século dezesseis. Inicialmente foi utilizado o nome “igreja reformada”. Pouco depois, na Inglaterra e mais especialmente na Escócia, os calvinistas insurgiram-se contra o episcopalismo que os reis queriam impor-lhes. Foi como se tivessem dito: “Não queremos uma igreja governada por bispos nomeados pelos reis, e sim uma igreja autogovernada, liderada por representantes eleitos pelas comunidades locais”. Surgiu assim o conceito de “presbiterianismo”, que refletia ao mesmo tempo o desejo de autonomia da igreja em relação ao estado e de um governo colegiado, representativo.
Esses fundamentos organizacionais de nossa igreja devem ser continuamente reafirmados em vários níveis. Em primeiro lugar, há que se enfatizar sempre que a igreja presbiteriana é governada por colegiados de presbíteros (desde o Conselho até o Supremo Concílio), e não por líderes isolados. Estes devem ser apenas “moderadores”, para usar uma terminologia antiga e necessária, mas quem realmente delibera e decide os rumos da igreja são os seus concílios. Somos gratos a Deus porque ultimamente esse princípio vem recebendo maior ênfase na vida da igreja nacional.
Essa norma fundamental deve ser afirmada em outras áreas, como a discussão dos grandes temas cruciais para a vida da igreja. Dentre estes se destacam a educação teológica, as qualificações para o ministério, a plantação de igrejas, as missões nacionais e transculturais, a teologia do culto, a responsabilidade social, a relação com a sociedade e a cultura, etc. Essas questões, pela sua importância e urgência, devem ser alvo de amplo debate, liderado pelos concílios, mas envolvendo todos os segmentos da igreja. Um recurso que pode ser benéfico é a nomeação de comissões mistas de alto nível cujos relatórios ou pareceres venham a enriquecer e orientar os debates.
Para que essa troca de idéias se torne mais fecunda, é preciso dar maior agilidade e eficiência ao funcionamento dos nossos concílios. Uma opção seria tornar mais freqüentes as reuniões do Supremo Concílio. Quatro anos, no mundo dinâmico em que vivemos, é tempo demais. Alternativamente se poderia dar maior peso e representatividade às reuniões anuais da Comissão Executiva, que na prática funciona como um pequeno Supremo Concílio. Talvez seja a hora, mediante as devidas emendas constitucionais, de dar esse status oficial à Comissão Executiva. Outra necessidade é a análise prévia das questões, principalmente as mais importantes, para que assuntos vitais não sejam discutidos e decididos de forma precipitada e apaixonada, sem a devida reflexão.
Finalmente, uma sugestão que pode dar a toda a igreja um maior senso de comunhão e participação é a realização periódica de congraçamentos da família presbiteriana, em âmbito nacional, regional e local. Que tal, por exemplo, realizarmos encontros dos presbiterianos nas grandes cidades brasileiras, com bons preletores e boa música cristã, propiciando oportunidades de confraternização, inspiração e mobilização para a causa de Cristo? Em conclusão, honrar as melhores tradições do presbiterianismo implica em sermos uma igreja verdadeiramente participativa.