Gustavo Dias de Assumpção (1881-1923)

Gustavo Dias de Assumpção (1881-1923)

Alderi Souza de Matos

 

Gustavo Dias foi um valoroso presbítero que em sua curta vida muito fez pela Igreja Presbiteriana do Brasil e suas instituições. Nasceu em Tietê (SP), no dia 14 de maio de 1881, sendo seus pais Alberto Dias de Assumpção e Luíza Cecília Correia de Morais Assumpção. Os outros filhos do casal foram Coriolano e Alberto. Essa foi uma das primeiras famílias da Igreja Presbiteriana de Tietê, organizada pelo Rev. Zacarias de Miranda em 22 de agosto de 1896, da qual Alberto foi o primeiro presbítero. A dedicada família Assunção foi um esteio da obra presbiteriana na região e hospedou muitos obreiros que por ali passaram através dos anos. 

 

As primeiras pregações do Rev. Zacarias de Miranda em Tietê foram feitas no salão da Câmara Municipal. Dentre os elementos fundadores da igreja estavam a família Almeida, vinda da igreja metodista da capital, Franklin de Cerqueira Leite, que viera de Brotas, e principalmente Alberto Dias de Assumpção, que era fazendeiro nas proximidades de Laranjal Paulista. Como em tantos outros casos, as raízes da Igreja de Tietê foram rurais. O Rev. Zacarias pregava com regularidade em fazendas como “Pirapora”, de Isabel de Aguiar, “Três Carolinas”, de Joaquim de Lara, e “D. Luíza”, de Alberto Assumpção. O ministro colocava o seu cavalo no trem em Sorocaba, onde residia, desembarcava-o em Laranjal, e então percorria o interior pregando o evangelho e dando assistência aos pequenos núcleos de crentes.

 

No dia 23 de dezembro de 1900, o jovem Gustavo foi recebido por profissão de fé pelo Rev. Franklin do Nascimento, na Igreja de Tietê. Um ano mais tarde, em 7 de dezembro de 1901, casou-se em Itapetininga com Maria Antonieta Ferraz, filha do professor João Ferraz de Oliveira Lima e da professora Filomena Ferraz. O casal teve três filhos: Hernani, Luíza Cecília e Nelson. Gustavo exerceu o magistério público no Estado de São Paulo e residiu como professor nas cidades de São Carlos, Laranjal e Botucatu. Também esteve em Florianópolis, em comissão do governo para a reforma da educação em Santa Catarina, e dirigiu o Grupo Escolar Lauro Müller, naquela capital.

 

Gustavo foi um esforçado presbítero da Igreja Presbiteriana de Botucatu. Dedicou-se com denodo à direção espiritual da igreja, ao cuidado dos candidatos ao ministério, à Escola Dominical, à Sociedade de Senhoras, aos doentes, órfãos e viúvas. Foi um dos fundadores da Escola Botucatuense, pertencente à igreja. Em seu lar, os pastores, seminaristas e candidatos ao ministério sempre tiveram carinhosa acolhida. Nutria grande admiração e amizade pelos Revs. Herculano de Gouvêa, Herculano de Gouvêa Júnior e Miguel Rizzo Júnior.

 

Além das suas muitas atividades na igreja local, suas apreciáveis qualificações o levaram a ser convocado para cargos importantes na igreja nacional. Foi tesoureiro e secretário da Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil desde 3 de março de 1912 até o seu falecimento. Foi abnegado e eficiente tesoureiro de várias instituições da igreja. Entre outras atividades, fez uma grande campanha em prol do Orfanato Presbiteriano. Também trabalhou muito em benefício do Seminário Presbiteriano, sediado em Campinas, do qual foi tesoureiro por cerca de seis anos. Visitou muitas igrejas, mesmo com sacrifício de seus interesses particulares, a fim de defender os interesses daquela importante instituição da igreja. Devotou grande atenção às responsabilidades orçamentárias da Assembléia Geral e prestou grande auxílio aos periódicos da época, O Puritano e a Revista das Missões Nacionais.

 

O Rev. Júlio Andrade Ferreira disse que ele não era apenas o tesoureiro que guardava e distribuía o dinheiro. Era o tesoureiro que levantava o dinheiro, escrevendo, viajando, importunando, e isso na época difícil em que a igreja ainda se recuperava do trauma da divisão de 1903. Se o Rev. Thomas J. Porter foi quem ressuscitou as “Missões Nacionais”, ou seja, o sustento dos pastores e das causas da igreja pelas contribuições da própria igreja, Gustavo Dias foi quem continuou essa obra, consolidando as finanças de uma denominação carente de recursos. Nas palavras do seu amigo, o coronel Joaquim Ribeiro dos Santos, de Torrinha (SP), ele foi um “tesoureiro modelar e insubstituível”. Foi sucedido nesse importante trabalho por outro incansável presbítero, Carlos José Rodrigues.

 

O presbítero Gustavo Dias de Assumpção faleceu em Botucatu no dia 27 de janeiro de 1923, com 42 anos incompletos. Os últimos momentos da sua vida foram muito edificantes, tendo dado um valioso testemunho da sua fé. A sua constante preocupação eram os negócios da igreja e o cuidado de seus amigos. Recebeu a assistência carinhosa do seu irmão, o Rev. Coriolano Dias de Assumpção. Quanto sentiu aproximar-se o momento da partida, reuniu em torno de si a família e, fazendo duas edificantes orações, despediu-se de todos. Coriolano pediu-lhe uma lembrança da sua vida espiritual, da sua experiência religiosa, e ele balbuciou: “Creio no Senhor Jesus”. Na tarde de 26 de janeiro, recebeu a visita do Rev. Tancredo M. da Costa e do presbítero Ubaldo de Camargo, vindos da cidade de Jaú. De novo repetiu a sua confissão de fé: “Creio no Senhor Jesus”, e pediu que se fizesse uma oração. O seu amigo, padre Euclides, que se achava presente, disse surpreso e comovido: “Como é admirável a lucidez do seu espírito”. O ofício fúnebre foi realizado pelo Rev. Tancredo na residência do Rev. Coriolano de Assumpção.

 

Coriolano de Assumpção nasceu em Tietê no dia 1° de novembro de 1886. Foi ordenado em 3 de março de 1907 e pastoreou por alguns meses a sua igreja de origem. Em março de 1908, por influência do seu professor, Rev. Erasmo de Carvalho Braga, transferiu-se para Botucatu, onde teve um longo pastorado de 33 anos, dividido em dois períodos. Casou-se com Marieta Ferraz, irmã da esposa de Gustavo, com a qual teve dez filhos: Celso, Alberto, Marieta, Beatriz, Flávio, Coriolano, Luíza Cecília, Carlos, Lúcia e Gustavo. Celso foi pastor e todos os seus irmãos foram presbíteros atuantes em suas igrejas. Luíza Cecília liderou por muitos anos o trabalho da mocidade presbiteriana no Brasil. Após a jubilação, o Rev. Coriolano residiu por longo tempo em Presidente Prudente, onde foi vereador, presidente da Câmara Municipal por vários termos e diretor do Conservatório Municipal. Faleceu em 1962, aos 76 anos de idade.

 

Celso de Assumpção, o filho mais velho do Rev. Coriolano, nascido em 26 de fevereiro de 1906, também se tornou pastor. Formou com o pai uma parceria para a evangelização da Alta Sorocabana. Fixou-se em Presidente Prudente e de lá ia encontrar-se com o pai, que, partindo de Botucatu, seguia pela Sorocabana semeando igrejas nas diversas cidades ao longo da estrada de ferro. Na área secular, foi prefeito de Presidente Prudente por um mandato. Faleceu no dia 8 de maio de 1980. Da geração atual, os netos de Coriolano, a grande maioria é atuante na Igreja Presbiteriana do Brasil. A Sra. Wanda de Assumpção, nora do Rev. Celso e residente em São Carlos, é uma conhecida tradutora e autora de livros evangélicos.



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