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Guilherme (1867-1955) e Augusto Klopffleisch (1908-1992)

Alderi Souza de Matos

 

 

Guilherme Henrique Carlos Klopffleisch nasceu em Hamburgo, na Alemanha, no dia 16 de maio de 1867 e veio para o Brasil ainda jovem. Converteu-se em 1888 quando residia em Campo Largo, nas proximidades de Curitiba, fazendo a sua profissão de fé em 26 de julho de 1891 com o Rev. George Anderson Landes, na Igreja Presbiteriana de Itaqui, organizada um ano e meio antes (29-12-1889). Em 31 de julho de 1892, na localidade de Porto Amazonas, casou-se com Helena Elizabeth Rodbard, sendo a cerimônia oficiada pelo Rev. Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa.

 

Nos anos de 1895 a 1898, Guilherme foi tesoureiro e pregador leigo na Igreja de Itaqui. Nessa época, aprendeu a tocar harmônio com a missionária Elizabeth R. Williamson, para melhor servir a sua igreja. Residiu por algum tempo na Colônia Marquês de Abrantes, onde trabalhou como motorista a serviço da colocação dos colonos imigrantes. Tinha uma oficina em casa e foi fabricante das famosas “foices São João”.

 

De 1899 a 1930, residiu na cidade de Prudentópolis, no mesmo Estado, onde dirigiu os cultos e a escola dominical, colaborando também com a construção do templo da Igreja Presbiteriana de Guarapuava. No dia 24 de maio de 1902 foi eleito presbítero dessa igreja, sendo ordenado em 1º de junho pelo Rev. George Landes e pelo presbítero Francisco de Paula Pletz, em cuja residência se realizavam os cultos. Em 1920, a família Klopffleisch foi arrolada na Congregação Presbiteriana de Manduri, nas proximidades de Prudentópolis. Foram seus pastores nesse primeiro período de sua vida eclesiástica os Revs. Roberto Frederico Lenington, George Anderson Landes, Tancredo M. da Costa, John Benjamin Kolb e Harold Cook, todos eles pioneiros da obra presbiteriana no Paraná.

 

O presbítero Guilherme transferiu-se para Curitiba em 1930, sendo arrolado na Igreja Presbiteriana no dia 13 de junho do mesmo ano. Na sua carta de transferência havia a seguinte informação: “O Sr. Guilherme foi ordenado presbítero há alguns anos, e aqui em Prudentópolis tem prestado excelente serviço como dirigente dos cultos na ausência do pastor” (Ata 365). Seus pastores na capital do Paraná foram os Revs. Luiz Lenz de Araújo César, Alcides Nogueira, Parísio Cidade e Oswaldo Soeiro Emrich.

 

Dona Helena faleceu no dia 21 de março de 1947, em conseqüência de um derrame cerebral ocorrido dias antes. No dia 17, ao fazerem juntos o seu último culto doméstico, o casal cantou o hino 570 do velho Salmos e Hinos: “Não sei porque de Deus o amor a mim se revelou, porque, a mim, o Salvador p’ra si me resgatou”. Em 15 de maio de 1952, por ocasião do casamento do Rev. Higino Bento dos Santos e D. Ruth, o veterano presbítero lhes enviou um cartão de felicitações no qual transcreveu o texto de Provérbios 31.10-11 e acrescentou: “Experiências pessoais minhas de julho de 1892 a março de 1947”.

 

No dia 6 de janeiro de 1952, a assembléia da Igreja Presbiteriana de Curitiba lhe conferiu o título de Presbítero Emérito. Alguns meses depois, em 1º de junho, foi realizado um culto solene de ação de graças pelos 50 anos da sua ordenação ao presbiterato. Seu falecimento ocorreu no domingo dia 4 de setembro de 1955, aos 88 anos de idade. Um dos familiares registrou suas palavras de despedida à sua igreja: “Aos irmãos, deixo lembranças. Seria uma ingratidão não dizer nada para eles. A todos os meus agradecimentos. Louvado e bendito seja o Senhor por me ter dado o privilégio de trabalhar pela sua causa. Eu não mereço nada, mas louvado seja o Senhor”. Suas palavras prediletas nos últimos dias foram o coro de um conhecido hino para crianças: “Que alegria! Sem pecado ou mal reunir-nos todos afinal, na santa pátria celestial, com nosso Salvador!”

 

O casal Klopffleisch teve nove filhos: Maria Helena Jensen, Jessie Anette Ribas, Olga May Buch, Enid Sílvia Bloch, Edith Cunha, Martha Zimerman, Rosa Hilda Berger, Augusto Klopffleisch e Waldemar Klopffleisch. Ao falecer, o Sr. Guilherme deixou 30 netos, 26 bisnetos e uma tataraneta. Foram preservadas várias cartas suas ao Rev. Oswaldo Soeiro Emrich, nas quais ele expressa grande estima pelo seu pastor, vivo interesse pelos trabalhos da igreja e profunda preocupação com a sua própria santificação pessoal.

 

O sr. Guilherme teve um ilustre sucessor no presbiterato na pessoa do seu filho Augusto Klopffleisch. Augusto nasceu no dia 10 de fevereiro de 1908 em Prudentópolis, Paraná, sendo batizado pelo Rev. John Benjamin Kolb em 12 de abril. Fez os primeiros estudos na sua terra natal. Em 1922 e parte de 1923, freqüentou a escolinha rural que funcionava no templo da Igreja Presbiteriana de Manduri, ocasião em que foi colega da futura esposa, Cristina Rickli. Em 19 de abril de 1923, matriculou-se na Escola de Aprendizes Artífices do Paraná, em Curitiba, cursando marcenaria e desenho técnico. Estagiou na Escola Normal de Artes e Ofícios Wenceslau Brás, no Rio de Janeiro, em 1929.

 

No dia 10 de dezembro de 1931, contraiu núpcias com Cristina Magdalena Rickli, membro de uma destacada família presbiteriana do Paraná, da qual procederam diversos pastores. Foram oficiantes da cerimônia o seu cunhado, Rev. Martinho Rickli, e o Rev. Armando Amorim. O casal teve quatro filhos: Rubens (11-10-1932), Paulo Sérgio (05-09-1934), Enid (13-03-1936) e Eunice (28-04-1938).

 

Augusto foi recebido por profissão de fé no dia 4 de julho de 1926, pelo Rev. Luiz Lenz de Araújo César, do qual foi entusiasta e competente auxiliar no trabalho de educação religiosa e evangelização. Foi ordenado presbítero da Igreja Presbiteriana de Curitiba em 31 de dezembro de 1935, aos 27 anos, tendo exercido essa função nos pastorados dos Revs. Luiz César, Alcides Nogueira e Oswaldo S. Emrich. O Rev. Luiz César certa vez referiu-se ao jovem presbítero como “um dos louros do meu ministério”.

 

Em sua igreja, foi grande colaborador da escola dominical e exerceu muitas outras funções relevantes. Foi um dos fundadores e organizadores da II Igreja Presbiteriana de Curitiba, hoje Igreja Presbiteriana da Silva Jardim, na qual atuou em diversas capacidades por quase trinta anos. Também participou das comissões de organização das Igrejas do Tarumã, Vila Tingui e Foz do Iguaçu, todas no Paraná.

 

Foi diretor do Instituto Cristão de Castro (1945-1950), no qual criou os cursos ginasial e de madureza bem como fundou a Associação do Instituto e a Associação dos Ex-Alunos. Foi incentivador de vocações, dando oportunidades a dezenas de jovens para realizarem os seus sonhos, alcançando depois o êxito em suas carreiras (pastores, médicos, professores, dentistas, agrônomos, etc.). Nessa época, foi membro da Igreja Presbiteriana de Castro.

 

Foi ainda pioneiro e colaborar entusiasta da obra de assistência social, tendo sido sócio-fundador da Sociedade Evangélica Beneficente (1943) e do Hospital Evangélico de Curitiba, do qual foi um dos administradores (1960-1966). Esteve entre os idealizadores da Associação Beneficente Presbiteriana (1963), tendo fundado o Lar Hermínia Schleder (1965) e o Núcleo Educacional Boicininga (1974), bem como colaborou com a Creche Educacional Miriam. Sendo habilidoso carpinteiro, fez móveis para essas e outras entidades, bem como para muitas igrejas (bancos, cadeiras, púlpitos). Foi um dos líderes da “Campanha da Amizade”, voltada para a compra de uma residência para o Rev. Oswaldo Emrich, pastor emérito da Igreja de Curitiba. Na área secular, exerceu diversas funções na Escola Técnica Federal do Paraná.

 

Augusto Klopffleisch recebeu o título de Presbítero Emérito em 2 de dezembro de 1974. Faleceu aos 84 anos no dia 30 de agosto de 1992. O autor deste histórico o conheceu pessoalmente e lembra-se do seu temperamento alegre e extrovertido, das brincadeiras e truques com os quais sempre divertia crianças e adultos, do seu enorme entusiasmo pela obra evangelística e assistencial. Esses dois notáveis presbíteros, pai e filho, serão sempre lembrados pelos crentes presbiterianos do Paraná por sua dedicação a Cristo e pelos inestimáveis serviços prestados à causa do evangelho.


 
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